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Desafios e possibilidades da acessibilidade na arte e educação

Quase 24% da população brasileira é composta por pessoas com algum tipo de deficiência. O curso Aprendendo com Arte, cada vez mais, está dialogando sobre acessibilidade nos fóruns, encontros, textos e redes sociais, discutindo a participação de pessoas com deficiência na arte e educação. Trouxemos as vozes de algumas das mediadoras do curso, partindo dos seguintes questionamentos: quais os maiores desafios da acessibilidade na arte e educação do Brasil? Como enfrentá-los?

Do meu ponto de vista, o maior desafio é garantir a formação de todos os profissionais que atuam direta ou indiretamente com a educação. Não se trata de formar para a acessibilidade apenas os profissionais que atuam no campo da arte-educação ou que tenham alunos e alunas com alguma deficiência.  Um mundo acessível deveria, a meu ver, funcionar como uma grande engrenagem de pessoas, lugares, recursos…
Camila Lia


A arte-educação no Brasil, quando não é reprodutora do status quo, que a torna excludente, é uma tentativa de criticar esse status quo. Mas é preciso tomar cuidado para não falarmos pelas pessoas que são excluídas. Penso que são elas que precisam dizer o que deve ser feito para que a acessibilidade aconteça. É preciso, também, que seja uma via de mão dupla, a empatia faz com nós também acessemos o universo cultural dessas pessoas.         

Valéria Alencar

Um dos maiores desafios da acessibilidade na educação é reconhecer que o aluno com deficiência não possui uma incapacidade, mas sim outro modo de se relacionar com o mundo. Nas aulas de artes podemos explorar diferentes linguagens afim de oferecer múltiplas possibilidades de criação, expressão e fruição artística, assim como os próprios alunos podem apresentar caminhos. Criar propostas que acessem a pluralidade que constitui uma turma de alunos é permitir que suas subjetividades sejam acolhidas e representadas nas aulas. Assim, não é preciso realizar adaptações para aqueles que possuem uma determinada deficiência e eles devem ser reconhecidos em sua integridade.
Luciana Nobre


Acredito que a formação e a adaptação dos espaços (escolares e não-escolares) são dois pontos fortes que interferem no desenvolvimento da acessibilidade na arte-educação. Há poucas discussões acadêmicas sobre o tema e quando há, são restritas à perspectiva teórica. Sinto falta de investigações e discussões que partem de experiências práticas e analisam o contexto do arte-educador, seja na escola, no museu, nas ONGs. Além disso, a adaptação dos espaços também interfere na acessibilidade, uma vez que muitas escolas e espaços culturais não estão preparados estruturalmente para acolher as necessidades que surgirem.
Maria Juliana Sá

A questão da acessibilidade ultrapassa questões estruturais e físicas, ela também perpassa a dimensão atitudinal. Entender o conceito em uma dimensão plena é fundamental. Nesse sentido, a arte-educação é potente pois acolhe as multiplicidades e diversidades de linguagens e expressões. Na arte não há censura, não há julgamento, não há impotência, não há exclusão, não há deficiência, mas possibilidades de criação e expressão que devem se fazer.            
Daniele Alves

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