Acontece
Projetos na escola: somando vozes

O curso Aprendendo com Arte de 2017 está chegando à sua reta final. Em outubro aconteceu o sexto encontro presencial, referente ao módulo “Ensino das Artes e a Escola Contemporânea”. Quem guiou o encontro foi a Profa. Dra. Mirian Celeste Martins, pesquisadora que é referência no campo da arte-educação.

Tendo em vista que os cursistas do Aprendendo com Arte devem realizar como trabalho final um projeto em Artes na escola, Mirian ressaltou durante a conversa que para se desenvolver projetos com os alunos, existem três conceitos indispensáveis: a pedagogia da escuta, o protagonismo do aluno e a mediação cultural para ampliar os repertórios artísticos e culturais do grupo.

O sexto encontro do Aprendendo com Arte resgatou diversas ideias já discutidas durante a formação, para que os cursistas pudessem afinar seus projetos finais relembrando o que foi trabalhado nos módulos: usar a tecnologia a favor do projeto, valorizar o patrimônio cultural e cultura visual dos alunos, abordar o hibridismo nas artes e, é claro, pensar o próprio projeto dentro da prática escolar.

A valorização do pensamento rizomático em um projeto desenvolvido na escola é de extrema relevância, porque um projeto não é construído como uma listagem de ações sequenciais, ele ganha forma a partir de um leque de possibilidades com potencial para construir novos percursos, somando-se com os conceitos e experiências dos alunos.

Por isso, quando se pensa em projeto, a ideia não é trilhar um caminho pré-definido. O professor pode ter hipóteses, mas não tem certeza de onde esse percurso vai dar. Apenas por ouvir os alunos, um projeto já pode tomar um rumo diferente. Embora os projetos tenham como desfecho muitos “produtos finais”, o mais relevante são os processos vividos, pelos alunos e pelo professor, ao longo do caminho.

Antes de começar a pensar no projeto, é preciso refletir sobre quais são os temas que nos tocam, que nos sensibilizam. O que anima a nossa prática? Pensando nisso, Mirian propôs que os cursistas escolhessem um objeto de cozinha que servisse como metáfora para os conceitos trabalhados nos projetos.

Os professores trouxeram objetos que serviam para misturar, transformar, retirar a superfície, inspirar… Sempre com a ideia de agregar o conhecimento dos alunos aos conteúdos previstos no plano escolar.

Além disso, Mirian também trouxe a reflexão sobre o que era ser um bom professor. Para isso, ilustrou a discussão com uma tirinha de História em Quadrinhos que dizia que os melhores professores são aqueles que fazem o aluno querer pensar, não os que ensinam o que o aluno precisa pensar.

É preciso ter outro olhar sobre o aluno, vê-lo como um ser social, produtor de cultura, como um sujeito potente e competente. Assim, projetos na escola devem ser alimentados por diálogos. Uma frase do artista Robert Filliou marcou o encontro: “O que quer que eu diga é irrelevante se não incitar você a somar sua voz à minha”.

@

Não ativo recentemente